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O Boticário

Todas juntas por um mundo mais igualitário e bonito.

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Abrimos este espaço para projetos de diferentes
regiões do Brasil que lutam por um mesmo ideal:
um mundo mais justo e bonito para todos. Juntas,
as mulheres estão mudando a realidade ao seu redor.

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Odara

Quando o Odara - Instituto das Mulheres Negras foi criado, no ano de 2010, 1082 mulheres negras foram mortas, só na região Nordeste. Neste contexto, duas baianas de Salvador decidiram unir esforços para lutar pelos direitos dessas mulheres, que, além de enfrentarem a discriminação de gênero, sentem na pele a crueldade da cultura do racismo.

Passados sete anos, ainda há muito a ser conquistado. Mas não faltam motivos para se orgulhar! As nove mulheres que hoje compõem o quadro do instituto, realizam um trabalho focado no enfrentamento do preconceito e no empoderamento de jovens mulheres negras. Mais do que promover a autonomia das mulheres negras, o grupo idealiza a inclusão delas na sociedade e no novo ciclo de desenvolvimento do Nordeste. Aos poucos, elas têm transformado a vida de meninas e jovens nas escolas, nas periferias e no mercado de trabalho. “O que sonhamos, no Odara, é construir um mundo possível para as mulheres viverem”, explana Naiara Leite, coordenadora do programa de comunicação da entidade.

Odara Odara

Atualmente, o Odara tem pelo menos nove ações em desenvolvimento, divididas em três grandes áreas: direitos humanos, comunicação e saúde da mulher negra.

Uma delas é o Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar. Desenvolvido em cinco comunidades carentes de Salvador, o programa é uma rede de apoio voltada para mães que perderam os filhos para a violência. Através do diálogo, do apoio psicológico e de oficinas recreativas, as mulheres encontram um alento para a dor e têm a chance de fazer justiça, graças a parceria com os órgãos competentes.

Em fase de incubação, a Yalodês será a primeira agência do Brasil formada inteiramente por jovens negras. A iniciativa faz parte do projeto de democratização da informação do instituto, que tem o objetivo de garantir o direito do acesso à comunicação, além de desenvolver uma visão crítica da mídia em jovens das escolas.

Em 2016, o Zika Vírus, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, colocou a região Nordeste mais uma vez em alerta. A doença foi apontada como causador da microcefalia em recém-nascidos e a região, mais uma vez, liderava um ranking indesejável. Enquanto a epidemia tomava o noticiário, as voluntárias do instituto arregaçaram as mangas. Elas foram até os locais mais afetados ajudar as mães na condições mais desfavoráveis, por meio de informação e educação em saúde, sempre sob a perspectiva de gênero e raça.

Entre todas as conquistas pelo caminho, Naiara considera a afirmação de identidade negra como a mais significativa delas. “Ver as jovens se afirmarem negras, e compreenderem isso como uma coisa positiva é um orgulho para nós. Muitas delas nem pensavam em ir para a universidade, achavam que aquilo não era para elas. Hoje elas sabem que podem conquistar o espaço que quiserem e que nós estamos aqui para ajudá-las”, exalta.

A maioria das meninas contempladas pelas ações do Odara tem uma história de vida que se confunde com a das próprias colaboradoras. Naiara conta que entrou no projeto como estagiária. “Quando entrei, olhava para as outras mulheres e nem me imaginava com todo aquele empoderamento. Aqui, eu reforço minha existência. Estamos falando da nossa realidade, das nossas mães, das nossas primas, das mulheres do nosso bairro. O meu sonho é fazer por essas mulheres o que o movimento fez por mim”, finaliza a jornalista.

Se o cenário ainda está longe do sonhado, pelo menos está um pouco mais próximo dele. E a luta segue.

Feminicidade

Feminicidade

O vídeo acima fez parte da campanha Mulheres de Impacto, uma iniciativa da Benfeitoria, Think Olga e ONU Mulheres, que visava ajudar a financiar projetos elaborados por mulheres.

A paisagem urbana das três maiores cidades do Brasil ganhou um pouco mais de cor e feminismo graças ao trabalho de um grupo de cinco voluntárias. A Feminicidade (junção de feminismo + cidade) nasceu como uma ideia simples. A fim de resgatar o real sentido do 8 de março, elas ouviriam mulheres com diferentes histórias de vida e transformariam esses relatos em lambes para serem espalhados pelos espaços públicos de São Paulo. O ano era 2015.

A partir do insight, dezenas de colaboradoras mobilizaram-se para coletar depoimentos, fotos e até poesias – tudo de mulher pra mulher. Desde então, a iniciativa já ouviu mais de 120 mulheres só na capital paulista e ainda espalhou pôsteres por Rio de Janeiro e Brasília, dando voz e visibilidade para personagens que, até então, estavam escondidas no anonimato.

Feminicidade Feminicidade

“Ao se verem nos lambes, nos muros das cidades, as mulheres sentem que suas histórias importam e que elas não estão sozinhas. Pelo contrário, elas estão ali representando milhares de outras”, defende Ana Flávia Gualberto, uma das idealizadoras. Aos 33 anos, a mineira que reside em São Paulo trocou a profissão de advogada para se dedicar a projetos que buscam a igualdade de gênero. Além disso, trabalha com tradução. Hoje, além de Ana, a Feminicidade conta com uma equipe de 14 voluntárias.

Na nova ação dos lambes, a intenção é abrir o leque para ouvir ainda mais histórias. Quem quiser participar, só precisa mandar a história de uma mulher e uma foto para o e-mail ou o Facebook da organização. Além de estamparem as ruas, os lambes ficam disponíveis para download no site. O acervo é formado por jovens, idosas, negras, donas de casa, mulheres que venceram câncer, mães que perderam o filho - centenas de biografias que inspiram e emocionam.

Histórias como a da Dona Eva, que, aos 81 anos, se orgulha de ter feito o que a maioria das mulheres da época, nem sonhavam. No tempo em que o divórcio ainda era um tabu, ela separou-se duas vezes e criou três filhos. Foi candidata a prefeita de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e a vice-governadora do mesmo estado. Mesmo sem ganhar nenhuma eleição, não desistiu da política, e continua a acompanhar até hoje, opinando e trabalhando como pode. “A felicidade da Dona Eva com o seu lambe, que pode parecer uma coisa tão simples, foi um dos momentos mais gratificantes da nossa trajetória até aqui”, conta Ana.

Da vontade de ouvir mulheres, veio a inspiração para dialogar com elas. O próximo passo foi trazer para o debate questões como o empoderamento, assédio sexual, mercado de trabalho, LGBTfobia, entre outros temas. Ana explica que, na essência, a Feminicidade busca promover a ocupação da mulher no espaço público: “Os lambes são uma forma muito impactante e positiva para divulgarmos nosso trabalho. Mas nós queremos fazer muito mais do que contar a história das mulheres. Queremos, juntas, construir uma realidade melhor para todas.”

As ações se intensificam em março, na ocasião do Dia Internacional da Mulher, mas o grupo media conversas durante todo o ano. Promover o encontro de mulheres de diferentes realidades, numa troca de experiência que para elas, tem um valor inestimável e é motivo de orgulho para elas.

A rua é, mais do que nunca, lugar de mulher.

Vamos Juntas?

Vamos Juntas

Unir mulheres com medo de andar na rua sozinhas. A ideia é tão simples que você se pergunta: como ninguém pensou nisso antes? Babi Souza precisou de uma noite escura de inverno em Porto Alegre para ter o insight que deu origem ao “Vamos Juntas?”.

Era sexta-feira. A jornalista se preparava para voltar para casa depois do trabalho, como fazia todos os dias. Como morava longe da agência onde trabalhava, Babi precisava pegar dois ônibus. “Eu fiquei tensa só de pensar em ir para casa. Comecei a pensar no melhor caminho, mas percebi que não importava que rota eu fizesse: eu sou mulher e eu sentiria medo por ser mulher”, lembra.

Vamos Juntas? Vamos Juntas?

Como ficar na agência até amanhecer não era uma alternativa, ela enfrentou a insegurança mais uma vez. Pegou o primeiro ônibus, desceu e caminhou até a parada para o segundo coletivo. Foi então que percebeu que outras meninas, que pareciam tão tensas quanto ela, estavam fazendo o mesmo caminho. Por que, então, não andavam juntas? “Instantaneamente, tive a ideia do que seria o movimento, o nome, as cores e a frase que explicaria o projeto”, lembra Babi, que na época tinha 25 anos.

Do post despretensioso no seu próprio perfil, um card feito pela amiga designer, veio a página. Em 24 horas, já somava 5 mil curtidas. Em duas semanas e meia, chegou a 100 mil. O sucesso na web foi só o começo. Logo, o movimento se transformou em uma corrente de apoio a vítimas de abuso, violência doméstica e discriminação. Assim, o conceito de “ir juntas” se transformou em “estar juntas”. E sororidade virou palavra de ordem. Em meio a tudo isso, Babi foi surpreendida com a caixa de mensagens lotada de relatos de meninas que encontraram nela uma amiga para desabafar.

Em um dos primeiros relatos, uma seguidora contava que tinha sido violentada aos 15 anos e nunca tinha tido coragem de contar para alguém. Passado o primeiro impacto, Babi entendeu que tinha uma nova missão com o movimento que acabara de criar: mostrar para essas meninas que elas não estão sozinhas e tentar fazer com que a vida delas seja um pouco melhor. A história foi compartilhada na página, preservando a identidade da vítima, e o resultado foi mais de 400 comentários de apoio. “Elas sabiam que podiam contar com alguém. É uma responsabilidade, mas ao mesmo tempo é muito, muito gratificante”, confessa Babi.

Com o crescimento da página (hoje com quase 450 mil seguidoras) veio o livro “Vamos Juntas? O Guia Da Sororidade Para Todas” e a jornalista decidiu sair do emprego para dedicar-se inteiramente ao projeto. Atualmente, Babi é a única diretamente envolvida no movimento, promovendo encontros, participando de palestras e cuidando da página. Mas, definitivamente, não faz nada sozinha. “Eu não sou a única que faço pelo ‘Vamos Juntas?’. Minhas seguidoras são as responsáveis por espalhar a ideia pelo Brasil, tanto no ambiente online, compartilhando e marcando as amigas, como fora dele, unindo-se a outras mulheres e falando sobre o projeto”, conta, orgulhosa.

Antes de criar o projeto, Babi não se considerava ativista, embora sempre estivesse atenta às questões de gênero. Ela atribui o sucesso da iniciativa à abordagem amigável e à temática simples. “Acho que muito do carinho das pessoas pelo ‘Vamos Juntas?’ é justamente por ser um movimento muito verdadeiro. Eu tive essa ideia quando estava na rua, com medo, situação que as mulheres passam todos os dias”, avalia.

O ativismo transformou a vida de Babi. Hoje, além do movimento, ela comanda a empresa que criou, a Bertha Comunicação, focada em impulsionar projetos liderados por mulheres por meio da comunicação digital. “Eu sinto que vivo para espalhar amor entre as mulheres”, finaliza.

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