O carnaval que queremos o ano todo

Ações reforçaram o combate contra o assédio durante a folia

Nem tudo o que acontece no carnaval, fica no carnaval. De todas as experiências que curtir a folia nos proporciona, praticar a sororidade, sem dúvidas, é uma das que queremos levar pra vida. É incrível como criamos uma corrente invisível com as mulheres ao nosso redor quando nos sentimos expostas ou vulneráveis. Nada como olhar pro lado e encontrar um olhar amigo, né?

Esse ano, o carnaval ficou marcado por ações de grupos de mulheres que mostraram que estamos mais unidas do que nunca – e que já não aceitamos qualquer tipo de tratamento como normal.

Veja algumas iniciativas que se destacaram:

Aconteceu no carnaval

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A iniciativa dos coletivos Meu Recife, Mete a Colher e Women Friendly prestava auxílio para vítimas de abuso durante os dias de festa. Além do site, que podia ser acessado por pessoas do país inteiro, foi disponibilizado o número de WhatsApp (81) 99140 5869, para mulheres em Recife relatarem seus casos e receberem orientação sobre como e onde procurar ajuda.

A ação também chegou às ruas por onde passaram os bloquinhos, em Recife e em São Paulo. Nas duas capitais, foram espalhados cartazes estampando frases contra o machismo e as “fitinhas da sororidade”, distribuídas para as mulheres, que formaram uma rede de apoio mútuo. O tom divertido tem tudo a ver com o carnaval, mas a ideia era deixar bem claro que o corpo da mulher pertence somente a ela.

#FoliacomRespeito

Em Brasília, um coletivo formado por produtores, artistas e pessoas ligadas aos blocos alternativos criou a campanha #FoliacomRespeito. O grupo lançou flyers, vídeos e tatuagens temporárias com frases para empoderar mulheres e a comunidade LGBT. A comunicação também incentivava as vítimas a denunciarem casos de abuso e assédio.

Carnaval é curtição, respeita o meu não

O Rio de Janeiro é um dos destinos mais tradicionais de Carnaval do país e em 2018, não foi diferente. Foliões de todos os cantos do país se encontram nas ruas da cidade para aproveitar a festa nos bloquinhos espalhados pela cidade. Para prevenir abuso e conscientizar a multidão, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos lançou uma campanha: “Carnaval é Curtição, Respeita o Meu Não.” A mensagem foi veiculada nas redes sociais e no sistema de transporte público, muito utilizado pelos turistas nessa época.

“Não é não!”

Quem nunca se ouviu dizendo a frase quando a pessoa continua insistindo mesmo depois de você já ter dito que não? Durante o carnaval, então, a cena se torna ainda mais comum. Pensando nisso, um grupo de amigas começou a distribuir adesivos com a frase, no carnaval do Rio de Janeiro, em 2017.

Este ano, a campanha distribuiu tatuagens temporárias para foliãs de blocos oficiais e alternativos, sambódromo e praias nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Olinda e Brasília.

Milhares de pessoas acompanharam o trio de Anitta, na primeira noite do carnaval em Salvador.
Milhares de pessoas acompanharam o trio de Anitta, na primeira noite do carnaval em Salvador.

Esses exemplos mostram que é possível criar uma rede de apoio cheia de gente do bem mesmo nas situações mais adversas. E, principalmente, no carnaval e no resto do ano, respeito é essencial.

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