Mulheres no esporte: elas são fonte de inspiração para ir além

Presente em todas as modalidades, participação feminina é recorde no Rio

Entre tantos motivos que temos para entrar no clima de festa e celebração que se instalou no Brasil, está o fato de que esta é a edição com o maior número de mulheres de todos os tempos.

Se em Londres, em 2012, foi a primeira competição da era moderna em que mulheres participaram de todos os esportes, nessa, do Rio, o fato se repete, acrescido agora do número recorde de participantes femininas. Dos 11.437 atletas confirmados, 5.180 são mulheres, alcançando a média de 45,29% do total de inscritos. A mais alta da história!

Isso se torna ainda mais simbólico quando lembramos que as mulheres foram proibidas de participar da primeira edição, em 1896, em Atenas. E, nas edições seguintes, sempre em número muito inferior, não tinham direito sequer à medalha. Olha que loucura…

Esse espaço veio sendo conquistado pouco a pouco, modalidade por modalidade e, hoje, podemos dizer isso: as mulheres são muitas e estão em todas!

Agora, imagine quantos exemplos de superação, garra e talento nós perderíamos se preconceitos como esse não fossem superados?

Listamos aqui 12 personalidades femininas que possuem grandes histórias nos esportes, dentro ou fora das competições.

01) Marta, jogadora de Seleção Brasileira feminina de futebol

Você consegue imaginar competição sem a nossa seleção feminina de futebol? E sem a Marta? Há quem diga que ela é melhor que Neymar. Os números não deixam dúvidas. Nossa artilheira e capitã alagoana, foi eleita por cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo. É a maior artilheira da história da Seleção Brasileira, com 101 gols, superando Pelé!

Jogadora brasileira de futebol, Marta
02) Formiga, jogadora da Seleção Brasileira feminina de futebol

Muito se fala da Marta e acabamos esquecendo da veterana Formiga. Aos 38 anos anos, ela é a primeira mulher do esporte no Brasil a jogar 6 campeonatos mundiais. Recentemente, ultrapassou a marca do jogador Cafú como a atleta que mais vestiu a camisa de seleção brasileira de futebol: 151 vezes. Formiga lutou contra o preconceito, o racismo e a pobreza na periferia de Salvador para conquistar duas medalhas: prata em Atenas (2004) e Pequim (2008). Só orgulho pra gente!

03) Flavia Saraiva, ginasta brasileira

Enquanto umas ostentam experiência na competição, outras experimentam a emoção pela primeira vez. É o caso da carismática ginasta Flávia Saraiva. A pequenina mede só 1,33m e pesa 34,kg, mas é uma gigante na modalidade. Com apenas 16 anos, a revelação está entre as 5 melhores do mundo na sua categoria. Não faturou nenhuma medalha, mas com tanto caminho pela frente, quem duvida de um futuro brilhante?

04) Rafaela Silva, judoca brasileira

Primeiro ouro do Brasil em 2016, a judoca Rafaela Silva já está sendo chamada de “a rainha do wazari” por ter aplicado, em todas as lutas que disputou, o golpe com a pontuação mais valiosa depois do ippon. Entre as adversárias dessa edição, Rafaela enfrentou a húngara que a eliminara há 4 anos, em Londres. A menina da Cidade de Deus, que superou as adversidades de uma vida na favela, exorcizou o fantasma, deu a volta por cima e se consagrou no Rio de Janeiro. Amamos!

05) Katinka Hosszu, nadadora húngara

Com três títulos mundiais, Katinka Hosszu ficou insatisfeita com sua participação em Londres, em 2012, quando também ficou sem medalhas. A nadadora já havia passado em branco nas competições em Atenas (2004) e Pequim (2008). Então pediu ao marido Shane Tusup para ser seu técnico. O maridão implementou um ritmo surreal de treinos, que permitiu à nadadora disputar, por exemplo, todas as provas de natação em uma mesma competição. A dedicação lhe rendeu não só o apelido de “Dama de Ferro” como, no Rio, já deu frutos inéditos até então: foram três medalhas de ouro e uma de prata, com direito a recordes. A Dama de Ferro bem que poderia ser a Dama de Ouro. <3

A photo posted by Iron Lady (@hosszukatinka) on

06) Simone Manuel, nadadora americana

Se não bastassem as duas medalhas de ouro e as duas medalhas de prata conquistadas nesta edição, Simone Manuel ainda fez história sagrando-se a primeira atleta negra a conquistar ouro na natação. Um dos ouros da norte-americana foi conquistado numa disputa eletrizante com a canadense Penny Oleksiak. Ambas fizeram o mesmo tempo, ganhando não só o primeiro lugar juntas, como também conquistando o recorde. Incrível!

A photo posted by Simone Manuel (@swimone13) on

07) Yusra Mardini, nadadora síria

Integrante do time de 10 atletas refugiados escolhidos para competir no Rio, a nadadora síria incorpora o termo heroína no que a palavra tem de mais nobre. Há um ano, ajudou a salvar um bote com 18 refugiados que tentavam cruzar o Mar Egeu, entre Grécia e Turquia. Ela e sua irmã empurraram o bote por três horas e meia até o litoral grego! Hoje, está aí competindo. Yusra não ganhou nenhuma medalha, mas, com uma história de superação dessas, nem precisava, concorda? É de arrepiar!

A photo posted by Yusra Mardini (@mardiniysra) on

08) Majindra Kelmendi, judoca do Kosovo

Majindra Kelmendi chegou a competir sob a bandeira dos países independentes, em 2014, no mundial da Rússia, que não reconhece o Kosovo como um país. No Rio, conquistou não só o ouro na sua categoria, como também o primeiro do seu país!

09) Monica Puigi, tenista porto-riquenha

Monica era apenas a 34a tenista no ranking mundial. Mas depois do Rio, ela também passou a ser a primeira mulher de Porto Rico a conquistar uma medalha. E de ouro! Surpreendeu vencendo favoritas ao título como Garbiñe Muguruza e Angelique Kerber, duas das três melhores tenistas do mundo. Mais uma mulher no esporte a fazer história.

A photo posted by Monica Puig (@monicaace93) on

10) Gaurika Singh, nadadora do Nepal

Agora imagina competir com o mundo todo, com apenas 13 anos de idade. Pois essa é a idade da nadadora Gaurika Singh, do Nepal, a atleta mais jovem a competir este ano. Estar no Rio, para quem sobreviveu a um terremoto que matou mais de 8 mil pessoas em 2015, não deve ter sido tão assustador. A menina ainda doou parte das suas premiações para a reconstrução das escolas destruídas. Talentosa e cheia de consciência. <3

Gaurika Singh, nadadora do Nepal
11) Oksana Chusovitina, ginasta do Uzbequistão de 41 anos

Aos 41 anos, Oksana Chusovitina é a ginasta mais velha a competir no Rio. Mas essa não é a informação mais relevante sobre Oksana. A atleta é uma lenda da ginástica e possui quatro movimentos com o seu nome. Competiu por três bandeiras diferentes: pela União Soviética, ganhou ouro em sua primeira participação, em Barcelona (1992). Depois, pela Alemanha, arrematou uma prata em Pequim (2008), aos 33. Aposentadoria? Oksana se despediu do Rio dizendo que já vai começar a se preparar para Tóquio. 😉

A photo posted by Oksana (@oksana2016) on

12) Lee Eun-ju, ginasta da Coreia do Sul

E pra fechar em clima de paz, ficou famosa a selfie que a ginasta sul-coreana Lee Eun-Ju, da Coreia do Sul, tirou com Hong Un Jong, atleta da Coreia do Norte, colocando de lado as desavenças entre seus países

Lee Eun-ju, ginasta da Coreia do Sul

 

Ao longo dessas duas intensas semanas de competição, o que vimos foram mulheres de diversas nacionalidades e culturas, idades e alturas, deixando exemplos de superação, dedicação, esperança e paixão pelo esporte. São inspiradoras porque mesmo com todos os desafios, com toda a competitividade, não deixam de nos tocar com gestos sensíveis.

COMENTÁRIOS 0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Connect with
with Facebook